30 de maio de 2008
escritor disponibiliza livros virtuais sobre literatura gay de qualidade

Ilha Comprida (SP) - Com artigos, contos e livros que tocam a fundo a questão homossexual, o escritor Moa Sipriano costuma mesclar verdades pessoais com pitadas de ironia, um pouco de sarcasmo, poesia, reflexões, situações do dia a dia, fórmula que delicia os leitores. Seu site especializado em literatura gay – www.moasipriano.com - , recebe uma média de 6 a 8 mil visitas mensais. Já atingiu o pico de 10 mil visitas num único mês, ocasião do lançamento da versão on line de 30 dias, seu livro mais conhecido na rede.

Sipriano, que mora na Ilha Comprida desde 2006, mantém uma rígida rotina de trabalho para conciliar o ofício de escritor com suas outras atividades profissionais, também ligadas à criação: fotografia, videomaker, designer gráfico, webdesigner, produtor musical e de eventos socioculturais."Sempre vivi e respirei arte e dediquei minha vida toda à produção artística em geral", explicou. Ousado e por vezes polêmico, Moa Sipriano orgulha-se de publicar pelo menos um conto inédito a cada quinze dias.

Natural de Jundiaí (SP), o escritor mudou-se para a Ilha Comprida há dois anos e não esconde seu amor pela cidade. “A correria e o estresse do dia a dia estavam minando minhas forças, causando-me tristeza e insatisfação em diversas áreas da minha vida. Quando cheguei na Ilha, foi paixão instantânea. O clima, a tranquilidade, a natureza exuberante, o mar, o carinho das pessoas, enfim, foram muitos os fatores positivos que me “prenderam” neste pedaço de paraíso. Larguei tudo, literalmente, e vim curtir minha vida, do meu jeito, aqui. A liberdade de expressão, a tolerância e a compreensão das pessoas nativas da Ilha foram detalhes que me surpreenderam positivamente. É realmente muito bom viver aqui”.

Moa Sipriano disse que sua admiração pela Ilha é tão grande que dois de seus livros de maior sucesso 30 dias - diário das experiências sexuais de jägger e um homem chamado augusto foram os primeiros textos onde a ambientação se passou totalmente na cidade. Segundo ele, a repercussão foi tão positiva que dezenas de leitores dos mais variados Estados já vieram conhecer as belezas da Ilha e os locais reais relatados nas histórias. “É emocionante o encontro com os leitores no exato local onde aconteceram as narrativas. Isso me deixa muito feliz”, afirmou.

 

a interatividade artista-internauta

Moa Sipriano explicou que a opção de publicar seu trabalho na Internet partiu da liberdade de expor tudo o que pensa e acredita, além da amplitude que sua obra atinge na rede mundial. “Hoje sou considerado um escritor “cult” na Internet e tenho fãs espalhados pelo mundo inteiro. Meus leitores – mais de 60% se denominam heterossexuais – admiram minha obra e demonstram um carinho imenso e respeito pelo meu trabalho”, comentou. Ele argumentou que nesta vitrine virtual, há público cativo para todo tipo de manifestação artística. “Isso é o grande “barato” da interatividade artista-internauta”, resumiu.

O escritor lembrou que, antes de se lançar na rede, pesquisou muito para não ser “mais um” a publicar contos de teor erótico, com artigos estereotipados. “Desde o princípio, procurei ser o melhor naquilo que me propus a fazer. Tenho muito orgulho de ter criado o primeiro site de língua portuguesa a oferecer gratuitamente literatura de entretenimento gay de qualidade a um público carente de boas opções”, contou. O retorno desse trabalho pode ser evidenciado nas centenas de emails diários que recebe, um reconhecimento que abre portas para novos vôos literários: a publicação de livros impressos. “Meu primeiro romance já está pronto e aguarda apenas um sinal verde de alguma editora comercial que acredite em meu potencial artístico e no retorno financeiro”, explicou.

Moa Sipriano afirmou que a vontade de escrever sobre a literatura gay partiu da necessidade de esclarecer e auxiliar as pessoas que enfrentam problemas em assumir sua sexualidade. “Nunca tive problemas em relação à minha homossexualidade. Nem pessoalmente, nem referente à família ou aos amigos. Sempre fiquei indignado ao observar as agruras e sofrimentos de amigos que escondiam sua opção sexual da família, dos colegas de trabalho, enfim, de todos. Com a literatura, sinto que consigo levar um pouco de luz e esperança a muitos que se sentem sufocados dentro da sua sexualidade, sem ter com quem compartilhar seus desejos e sonhos. Quando abro minha caixa de mensagens eletrônicas e me deparo com um “muito obrigado por você ter revelado o segredo da minha vida”, isso, por si só, me faz sentir um vencedor”.

 

acompanhe a entrevista com o escritor:

Você é notívago?

MOA SIPRIANO: Sim. Sou um notívago assumidíssimo (risos). Só funciono – no que se refere à criação – depois da meia-noite. É durante as madrugadas que minha sintonia com a Dona Inspiração torna-se mais intensa. Durante o dia dedico meu tempo aos afazeres profissionais que me sustentam: produção de sites e de mídia impressa, e consultoria na área de produção artística.

Meus horários são malucos. Não diferencio noite, dia ou datas especiais. Produzo muito. Não consigo evitar. Escrevo todas as noites. Geralmente faço um rascunho de temas referentes aos artigos que quero publicar em meu site ou em sites parceiros. Passo em média de quatro a cinco horas por noite escrevendo. Mas há situações excepcionais em que, quando estou inspirado ou “possuído”, chego a ficar entre oito a dez horas diante do meu notebook, ensandecido, com as pontas dos dedos dormentes, mas não paro enquanto não despejar toda a história no disco rígido. A maioria dos meus contos é escrita dessa forma, em apenas um dia!

Qual é sua produção literária?

MOA SIPRIANO: Tenho dezenas de livros disponíveis integralmente em meu site e muitos artigos e contos postados tanto em meu site oficial quanto em outros sites e portais gays que publicam livremente o meu trabalho literário no Brasil e no Exterior. Quando passei a redigir meus textos de maneira profissional, há exatos cinco anos, busquei de todas as formas conciliar a rotina de escritor com minhas outras atividades. Foi tremendamente difícil estabelecer uma disciplina de trabalho para o ato de escrever. Somente em 2007 consegui equilibrar meu tempo e hoje me orgulho de publicar em meu site oficial um artigo ou um conto inédito a cada quinze dias, aproximadamente.

Comecei a escrever roteiros de filmes imaginários, poesias, letras de música e outras “bobiças” aos 12 anos. Eu vivia anotando meus sonhos, minhas descobertas e minhas verdades em papéis soltos que foram se perdendo pelo caminho. Sou um gay assumido desde os 14 anos e a partir dos 15, passei a escrever histórias que de alguma maneira retratavam a homossexualidade masculina.

Por que optou pela publicação de seus livros na Internet?

MOA SIPRIANO: Primeiro pela liberdade de expor tudo o que penso e acredito neste espaço mais do que democrático que é a Internet. O segundo motivo foi o retorno imediato que a Grande Rede proporciona, onde pessoas anônimas têm acesso aos textos e, sem me conhecer, avaliam e opinam livremente sobre a qualidade dos temas abordados. Hoje sou considerado um escritor “cult” na Internet e tenho fãs espalhados pelo mundo inteiro. Meus leitores – mais de 60% se denominam heterossexuais – admiram minha obra e demonstram um carinho imenso e respeito sincero pelo meu trabalho.

A Internet é um veículo de comunicação em massa muito eficiente, com toda certeza, mas desde que você saiba aproveitar tudo o que ela tem a oferecer. De nada adianta ter um site bonito ou com um ótimo conteúdo se você não divulga corretamente sua arte, seu trabalho. Há muitos escritores iniciantes, bem como vários outros artistas que usam a Internet como vitrine virtual. Há público cativo para todo tipo de manifestação artística e isso é o grande “barato” da interatividade artista-internauta.

Quais as vantagens e desvantagens do trabalho literário exclusivo na Internet?

MOA SIPRIANO: Descobri um nicho de mercado até pouco tempo atrás totalmente inexplorado: o mercado literário gay nacional. Pesquisei muito antes de lançar meu site e meus textos. Eu nunca quis ser “mais um” a publicar contos de teor erótico, artigos estereotipados ou postar milhares de fotografias de pornografia masculina na rede. Desde o princípio, procurei ser o melhor naquilo que me propus a fazer. Tenho muito orgulho de ter criado o primeiro site de língua portuguesa a oferecer gratuitamente literatura de entretenimento gay de qualidade a um público carente de boas opções.

Considero como vantagem maior o retorno imediato daquilo que escrevo, onde críticas construtivas congestionam minha caixa de mensagens e meu MSN diariamente. Isso é muito gratificante, pois você acaba descobrindo o que realmente toca o teu público: quais artigos chamam mais atenção, quais contos causam maior impacto, etc. E como muitos leitores não me conhecem pessoalmente, não há aquela situação desconfortável e geralmente falsa de ser elogiado pelos amigos mais chegados ou pelos parentes mais próximos (claro, eles sempre vão dizer que você é o máximo – risos!)

A única desvantagem que avalio, por hora, é a falta de retorno financeiro por ausência de patrocínio do produto de qualidade que ofereço. Sou conhecido e respeitado pelo leitor, mas ainda desconhecido por grande parte da mídia de entretenimento, o que me impede, por hora, de alçar vôos na produção de livros impressos ou de filmes e peças de teatro baseados em meus textos.

Por que a opção pela literatura com temática exclusivamente gay?

MOA SIPRIANO: O que me impulsionou ao ato de escrever abertamente sobre o universo gay de maneira direta e objetiva foi o fato predominante de eu mesmo jamais ter tido qualquer problema em relação à minha homossexualidade. Nem pessoalmente, nem referente à família ou aos amigos. Sempre fiquei indignado ao observar as agruras e sofrimentos de amigos que escondiam sua opção sexual da família, dos colegas de trabalho, enfim, de todos.

Sempre fui considerado um bom conselheiro, sendo procurado por pais, filhos e espíritos santos para debater – muitas vezes por longas horas – sobre esse tema que ainda é tão delicado, principalmente quando se mistura religião e sexualidade. Aliás, esse foi o estopim necessário para que eu começasse a escrever meus artigos e contos: acabar com a hipocrisia que envolve dogma religioso e homossexualidade.

Foi surpreendente o incentivo que recebi de meus leitores. Meus artigos tocam a fundo a questão homossexual de uma maneira pouco ortodoxa, onde mesclo as minhas verdades juntamente com um pouco de ironia e sarcasmo (típico dos gays, diga-se) que deliciam os leitores.

Enquanto meus artigos são focados na realidade do universo gay, onde tudo que exponho foi realmente vivido por mim, meus contos retratam o “nosso” meio de uma maneira poética, aberta e muito direta. Uso do erotismo e da sensualidade para provocar no meu leitor seus instintos mais íntimos, fazendo-o refletir sobre os atos dos meus personagens, buscando revelar nas entrelinhas da ficção situações e emoções que podem ser úteis para a sua evolução pessoal.

Uns me tacham de um novo “Jean Genet” e outros consideram meus contos no mesmo nível de um “Nelson Rodrigues”, o que me põe nas alturas, confesso. Ah, a moda agora (coisas do Orkut) é me chamarem de “mago”, pois muitos me consideram um profundo conhecedor das intrínsecas vertentes da alma masculina – te cuida, Paulo Coelho!

De onde vem a inspiração para os seus contos?

MOA SIPRIANO: Tudo me inspira. Em relação aos artigos, o mote vem de todos os lados. Seja um noticiário na tv, uma matéria na Internet, a história de um amigo, o relato de um fã. Sou uma máquina de produção em série (risos). No caso dos contos, a maioria vem “cantada” em meus ouvidos, geralmente quando saio para minhas longas caminhadas solitárias pelas praias divinas da ilha.

Meus contos vêm de emoções contidas, de coisas que mexem comigo, de verdades que têm de ser reveladas. São as minhas verdades. Uma música me inspira, um olhar me inspira, cenas do cotidiano se transformam em relatos surpreendentes. Tudo que escrevo tem algo de visual muito palpável. Sou um artista totalmente visual. Não me permito, jamais, sufocar minhas ideias. Daí – acredito – vem o sucesso limpo daquilo que escrevo. Eu realmente decifro o segredo da tua alma.

Quantos leitores visitam seu site?

MOA SIPRIANO: Recebo entre 6 e 8 mil visitas. Já atingi o pico de 10 mil visitas num único mês (onde a divulgação aconteceu praticamente entre contatos no Orkut), como ocorreu no lançamento da versão on line definitiva de 30 dias, meu livro mais famoso na Internet. Para um "escritor-ninguém" como eu, achei o máximo a experiência.

Como se dá o retorno da literatura virtual?

MOA SIPRIANO: O contato com meus leitores se dá exclusivamente por email (recebo em média 130 mensagens por dia), pelo MSN (respondo as dúvidas dos leitores, ao vivo, por pelo menos 3 horas por dia, chegando a seis ou sete horas nos fins de semana) e através do meu perfil no Orkut, onde chego a responder dezenas de recados todos os dias. Quando o leitor se torna um amigo, há contatos por telefone e até mesmo encontros sociais.

Houve um caso interessante em junho de 2007, na semana do meu aniversário, quando uma verdadeira caravana vinda de São Paulo veio conhecer a ilha e a minha pessoa. Foi a maior emoção que vivi até hoje como escritor, estando junto de dezenas de fãs que se tornaram amigos reais, debatendo deliciosamente por horas, numa espécie de workshop improvisado nas areias da praia do Boqueirão, respondendo questões sobre meus contos, minha forma de criação, meus personagens mais famosos e minha facilidade e coragem na exposição de qualquer assunto ligado à homossexualidade. Foi emocionante!

Quais seus planos na área literária?

MOA SIPRIANO: Em 2008 adoraria lançar meu livro impresso. Será o primeiro romance – que já está pronto –, apenas aguardando um sinal verde de alguma editora comercial que acredite em meu potencial artístico e de retorno financeiro. Já enviei meus originais para muitas empresas nas quais meus textos se encaixam em suas linhas editoriais. Sou paciente e sei que encontrarei a parceria ideal para dar vazão ao meu produto literário. Tenho consciência da qualidade e, porque não, da mina de ouro que tenho nas mãos. Além disso, quero voltar a filmar; produzindo e dirigindo curtas-metragens baseados em meus textos de maior sucesso na Internet.

* entrevista realizada pela jornalista márcia colla para o Jornal em Revista (Registro, SP)

30 DIAS, romance de Moa Sipriano - baixe o livro gratuitamente!

o autor artigos livros opinião do leitor imprensa entrevistas fotos de moa sipriano rss perfil oficial de moa sipriano no orkut facebook - moa sipriano siga-me no twitter! contato saiba como apoiar o projeto literário de moa sipriano todas as obras de moa sipriano estão sob uma licença creative commons página inicial o autor artigos livros - literatura gay de qualidade opinião do leitor imprensa entrevistas fotos de moa sipriano saiba como apoiar esse projeto literário