
vaticano,
um país hipócrita
Lendo com
atenção uma notícia
veiculada no portal GLX no dia 28 de maio,
não me causou espanto o fato da Igreja
ainda não permitir que homossexuais
assumidos se tornem padres ou que tomem
posse em postos estratégicos dentro
do sacerdócio.
Senti-me,
mais uma vez, apenas revoltado com tamanha
hipocrisia, aliás um ato constante
dentro do seio religioso.
O mais engraçado
é que sem os gays, a Igreja não
é nada! Muitos de nós servimos
como coroinhas, motoristas, cozinheiros,
costureiros, decoradores, artistas plásticos,
maestros de corais medonhos, seguranças,
evangelizadores responsáveis por
quilos de Pastorais mundo afora, e mais
um sem número de atividades que desempenhamos
nos bastidores, movidos unicamente pela
nossa fé e o nosso amor incondicional
à Igreja.
Até
mesmo no Vaticano, ops, no País
Hipócrita das Maravilhas, Alice Benta
XVI vive cercada de um cordão de
puxa-sacos purpurinados a lhe beijar o anel
sagrado dia após dia.
Alice, a
velha, é apenas uma fachada opulenta
que serve como vitrine pomposa para alegrar
os fiéis. Quem comanda todos os meandros
da Igreja são outras pessoas. E no
meio dos poderosos - que de "santos"
não têm nada -, há dezenas
de gays vivendo no enrustimento involuntário.
E isso não
é fofoca. Basta você acompanhar
o que acontece por trás das Pompas
e Circunstâncias! Qualquer Zé-mané
é capaz de checar os fatos. Basta
abrir os olhos da razão.
Definitivamente,
os bastidores do universo religioso são
podres.
Muitos homens
fortes ligados diretamente ao Papa são
gays, têm parceiros fixos e tentam
viver sossegados à sua maneira, apesar
de serem obrigados a deixar no limbo aquilo
que realmente são, vivem e sentem
de verdade. Afinal, trabalho é trabalho.
E ostentar o status de "homens
do ôme" deve valer qualquer sacrifício.
E no que
tange aos santos padres e bispos, Ave Maria
da Gonorréia Sagrada: olhe ao seu
redor! Há milhares de padres gays
espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Só num estado como São Paulo,
por exemplo, dezenas de padres intimamente
gays professam sua fé diariamente,
sem deixar nenhum mandamento ou atividade
ligada ao sacerdócio para trás.
São
homens que cuidam muito bem da sua Comunidade,
dos irmãos e do bem-estar alheio
com toda a pureza e a força de seus
corações purificados pela
vocação divina. Eles são
os detentores do tipo de amor mais puro
que existe no universo: o amor fraternal.
E não
estou aqui criticando ou apontando esses
homens santos no que se refere explicitamente
à sua sexualidade enrustida. Onde
quero chegar é que simplesmente o
fato deles terem nascidos gays (ainda prefiro
a opção "escolhidos ser
gays"), não os impediu de sentirem
e seguirem suas vocações religiosas.
Pelo contrário.
Esses homens santos podem se considerar
verdadeiros vencedores do poder do Cristo
Divino, pois certamente passaram poucas
e boas durante os anos de aprendizado, embotando
seus mais primitivos sentimentos, abrindo
mão da companhia de um parceiro masculino
em prol dos seus desejos inquebrantáveis
em servir ao próximo, à Igreja
e a Deus.
Na mesma
panela acrescentamos os monges e freiras.
Quantos monges enfiados nos colégios
São Bentos da vida ou nos mosteiros
espalhados por aí também não
são "homossexuais latentes",
que sufocam de si mesmos aquilo que são
na intimidade?
E o que falar
dos Bispos do Brasil? Vá até
Itaici (um vilarejo que faz parte de Indaiatuba,
interior de São Paulo) durante uma
conferência anual deles e garanto
que em oito minutos você "pega"
rapidinho uns dois ou três velhotes
em atitudes pra lá de suspeitas (Santo
Banheirão!).
Acusação
sem fundamento? Calúnia? Difamação?
Nada disso. Apenas fatos que certos tipos
de pessoas escondem de si mesmas e esforçam-se
para camuflar suas intimidades do mundo,
mesmo quando se julgam detentoras da boa
moral e dos costumes imaculados que uma
sociedade utópica deveria ostentar.
Na verdade,
o que a Igreja mais teme são as mariposas
loucas e os comedores de menininhos. Esses
sim, são seres doentes que precisam
de orientação e cuidados especiais.
Mas por que
proibir aqueles que, apesar de serem gays
e sentirem dentro de si o chamado divino
para dar continuidade ao trabalho caridoso
e confortador supostamente pregado por Jesus,
não têm o direito de escolher
seus próprios desígnios cristãos?
São
milhares de gays e lésbicas que abrem
mão do mundo, dos seus sentimentos,
dos seus prazeres, até mesmo de suas
vidas privadas somente pelo amor fraternal
sem fronteiras e com a intenção
de realmente servir a Deus e ao próximo
acima de tudo.
Eles devem
ser punidos por serem diferentes? Sentir
apenas atração por alguém
do mesmo sexo físico é um
defeito incorrigível?
Os gays são
perfeitos para qualquer tipo de atividade,
divina ou mundana. Gays dariam ótimos
pregadores da palavra divina, ou melhor,
dos ensinamentos que deveriam ser a base
concreta do Cristianismo.
O que ainda
revolta é a palavra vazia. Frases
feitas por um punhado de apóstolos
lunáticos e bernentos que romancearam
todos os acontecimentos praticados por Jesus,
que na verdade, foi até um cara bem
comum, apenas dono de idéias revolucionárias
para aquela época, e não tem
nada de tão-tão assim.
Viva a mídia
do Século I. Jesus, o maior garoto-propaganda
de todos os tempos!
O que ainda
revolta é ouvir da boca de um padre,
papa ou qualquer coisa vinda do Poder da
Igreja, pregar frases lindas, mas de pouca
amplitude prática: Deus é
Amor, Amai-vos uns aos outros, O Senhor
é o meu Pastor, e outras balelas
clicherianas que não dizem nada se
não forem utilizadas com o coração
puro e com atitudes realmente fraternais.
O dia em
que esses hipócritas da casa de Alice
Benta, a velha, se derem conta de que nós,
os gays, temos o direito de exercer plenamente
nossa religiosidade independente de nossas
posições hierárquicas
dentro da Igreja, o mundo poderá
ser considerado um lugar melhor para se
viver.
Ser gay não
é ser uma aberração
no mundo cristão.
E enquanto
isso, no lustre do castelo, monges-mariposas-loucas
e padres-comedores-de-menininhos continuam
fazendo a festa entre quatro paredes. E
depois de saciarem seus desejos insanos,
se molestam ajoelhados no milho por horas,
rezando um sem fim de pais-nosso e aves-maria,
a fim de aplacar suas atitudes doentias.
E aqueles
que, apesar de terem "nascido"
gays, souberam abdicar de tudo dentro de
si próprios em favor dos mais necessitados,
ainda têm que continuar escondendo
do mundo algo que no fundo é tão
simples de ser aceito ou tolerado.
Ser um padre
gay, um monge gay, um bispo gay não
o diferencia de mim ou de você.
Afinal,
Deus é simplesmente... Amor. E o
Amor não tem sexo!

