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ele não dá bola pra mim!

Esta cena clássica já aconteceu comigo, com você, com todo mundo. Caminhando contra o vento, sem lenço, mas com documentos, de repente damos de cara com aquele “cara” dos nossos sonhos.

Cruzamos nossos olhares, levamos a nossa mão esperta lá pra baixo e acariciamos nossos mastros afoitos por cima de nossas roupas justas – sinal universal da fodaria ou, para os menos entendidos (!!): “oi, eu quero dar pra você agora... tem local?”

Sacou?

Mas, claro, como somos moças de família e adoramos “fazer tipinho”, passamos do lado do bofe, gastamos quarenta e três minutos na troca de olhares gulosos e sedutores, nossos pintos ganham volume, ficam cutucando nossos instintos primitivos e depois de muita, muita, muita enrolação, lá vamos nós... falar com o bofe.

Daí segue aquela patacoada de sempre: “oi... você vem sempre aqui... calor né... o dia tá lindo... gostei de você... estou faz tanto tempo sozinho, e você?... ahh, não, puxa, faz séculos que eu não saio com ninguém, e você?... não, não, não, eu não sou efeminado... odeio bicha pintosa... ahhh, na cama, curto tudo (mentira, a senhora quer dar a bunda mesmo!)... não, não, não, eu não freqüento ambiente gls” (mentira – parte II, a senhora não sai dos chats de sexo gay do UOL e adora fazer um Banheirão!)... e por aí vai a coisa.

Trocamos números de celular, continuamos a fazer a linha “moça virgem e ingênua” e marcamos para dali a dois dias um encontro “normal”.

Bom, claro que não estou me referindo ao batalhão de Bambees que jamais perdem tempo e que em apenas cinco minutos, sem mais delongas, já estão de boca no peepo do bofe, seja lá onde estiverem.

Mas, continuemos nossa história.

Passamos as próximas 48 horas num sufoco só, loucos para o derradeiro encontro, que juramos de pés juntos que será o último. Afinal, queremos acreditar que aquele bofe é a nossa Alma Gêmea, o Príncipe Encantado, o Salvador da nossa vidinha sem encantos e prazeres mundanos. Estamos felizes... radiantes!

E chega o grande momento. Perfumados, lindos, com nossa melhor roupa justa e uns trocados no bolso, lá vamos nós, saltitantes... pela estrada afora, eu vou bem sozinhaaaa...

“Rola” tudo como o planejado. Uma cerveja, muita risada, muita mentira (afinal, temos que nos mostrar perfeitos, não é mesmo?), um verdadeiro show de hipocrisia e finalmente a cama. E que “cama”!

Uma trepada de responsa! Que delícia! Damos feito loucas! Chuvas de camisinhas usadas pelo quarto. “Foi um tubo de KY, meu bem!”, contamos pras amigas no dia seguinte.

Voltamos pra casa pisando em nuvens fofas de algodão. Se por acaso pintar uma chuvinha básica no trajeto, não tenha dúvidas, “baixa” o Gene Kelly e cantarolamos “Singin’ in the rain”, molhadinhas e felizes. A vida é bela!

Dia seguinte, descansados, ainda com o brilho no olhar e uma pele sedosa igual à textura de um pêssego maduro, nos dirigimos ao trabalho e nem bem ligamos o computador, começamos o famoso bombardeio de mensagens eletrônicas de todos os tipos, tamanhos e cores enviadas ao nosso grande amor, seja por MSN (claro que o bofe está off line), seja por SMS (entupimos a caixa de mensagens do Nokia N95 dele) ou até mesmo com sinais de fumaça (queimamos todas as fotos dos nossos ex-trepantes, claro)... e por aí vai a coisa.

Mas, de repente, nosso Amado não retorna os nossos contatos. Passamos horas a rodar o Motorola numa das mãos (ligo ou não ligo pra ele?) e finalmente nosso estado de humor sofre um colapso cardíaco. Estamos sozinhos novamente.

Mas, naquela noite, tinhosos como somos, voltamos à cena inicial, ops, local de caça, ops, ponto de encontros casuais e damos novamente de cara, sem querer querendo, com o nosso homem.

Ele sumariamente nos ignora. Insistimos um encontro verbal. As palavras do lado de lá soam frias, distantes, opacas. Ele não nos quer mais. Foi apenas um momento de sexo. Não haverá amor. Não haverá namoro. Não haverá um encontro-do-dia-seguinte.

Acabou.

Retornamos para as nossas casas e adentramos nossos quartos em prantos interiores. Afinal, precisamos esconder da Mamee as nossas fraquezas (idiota – a mãe sempre sabe tudo de nós!).

Nossa pobre alma encontra-se dilacerada. Sentimos-nos feios, sujos, ignorantes, repulsivos. Ninguém mais vai querer trepar com a gente! Ai meu Deus, será que eu senti uma gordurinha aqui? Tô gorda! Quero morrer! Adeus McDonald’s!

E o tempo passa, o tempo voa, e nossa poupança murcha já não continua numa boa.

E nos questionamos: Por que ninguém me quer? Por que não tenho sorte no amor? Por que isso, por que aquilo?

Mas agora todos os seus problemas acabaram. Você tem aqui e agora, com exclusividade, o seu Super Momozaitor Salvadoraitor Intubiára, ao seu dispor, Bambee!

Realmente não é fácil passar alguns momentos mágicos com um cara gostoso e fogoso e horas depois descobrir que, mais uma vez, não será agora que encontraremos nosso par ideal.

Desperdiçamos muita energia na eterna procura do príncipe que não é príncipe porra nenhuma. A nossa tendência vitimesca de nos desvalorizarmos após uma frustração íntima é calamitosa. Nunca paramos para avaliar friamente os fatos ocorridos.

Sempre exponho em meus artigos que o “jogo limpo”, o diálogo franco e o bom senso são as melhores armas para se conquistar alguém, seja para amizade ou até mesmo para o amor.

O problema é que somos tão tapados que nem mesmo sabemos diferenciar uma aventura prazerosa sem compromisso de um envolvimento mais duradouro.

Se você é livre, é claro que você tem o direito de curtir sua intimidade com quem quiser. É claro que é gostoso cruzar com alguém nas quebradas da vida e descobrir que esse alguém “bateu” com o nosso santo e que a química desperta entre ambos pode nos levar ao enlace dos corpos e ao prazer dos sentidos.

Mas, na maioria das vezes, não temos cabeça para diferenciar uma aventura sexual sadia de uma possibilidade de um namoro sério.

Sufocamos nossos parceiros em cobranças absurdas de “amor eterno”, de fidelidade, de isso, de aquilo. Não damos tempo para que as coisas floresçam naturalmente.

A merda da nossa carência medonha sempre embola o meio de campo. Projetamos nossas frustrações sempre em primeiro lugar, tentando a todo custo transformar o nosso homem no nosso bonequinho Ken, manipulando-o a exaustão diante das nossas paranóias neuroticamente repulsivas.

E aí, é claro, perdemos mais uma grande oportunidade de fazer a coisa certa.

Enfim, é o seguinte: Quer trepar? Pintou uma chance de um sexo gostoso, responsável, sem compromisso? Vá em frente... aproveite!

Mas se por acaso o lance for de apenas uma noite, uma hora, alguns minutos que seja, curta o momento, deixe rolar, não faça projeções idiotas!

É sempre assim e isso jamais vai mudar: quem é seu, quem você tem de direito para viver ao seu lado... acontecerá, mais cedo ou mais tarde.

Não se jogue no abismo da ignorância caso as coisas não tenham saído como o planejado. Não se desvalorize, muito menos agrida a si mesmo se ainda não foi dessa vez que você encontrou o cara certo.

Caras ideais não existem. O que existem são homens compatíveis com o seu jeito de ser, de pensar e de agir.

O segredo é: Afinidade – já ouviu essa palavra antes? Conhece o significado real dela?

Se ele não liga mais pra você... paciência! Continue o seu caminho, siga em frente, não pare, não olhe para trás!

Dedique seu tempo livre a você. Faça as coisas que gosta de fazer. Aproveite algumas horas para aprender coisas novas. Baixe e leia os contos do Moa (risos), freqüente lugares novos, cuide do seu corpo, viaje, faça amigos, dê mais atenção para sua família.

E finalmente quando menos você esperar, no dia em que você realmente estiver equilibrado consigo mesmo, “ele” aparece, assim, do nada.

E sabe por quê?

Porque sempre quando estamos preparados, a mágica acontece!

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